Triathlon do Rio: meta é ter mil atletas federados em 2013

Triathlon do Rio: meta é ter mil atletas federados em 2013

16 de junho de 2018 0 Por boratreinar

A Federação de Triathlon do Estado do Rio de Janeiro registrou um número recorde de filiados em 2012, com um total de 786 atletas devidamente registrados. Este é um importante termômetro para se avaliar a evolução das modalidades do Triatlo, Duatlo e Aquatlo, já que o número atual de atletas é 264% maior do que há 5 anos (216). Em 2012 o calendário da federação contemplou 15 provas – 11 organizadas diretamente pela FTERJ e quatro organizadas por empresas ou grupos credenciados.

”É um volume bastante consistente para a comunidade esportiva do Rio de Janeiro. O surgimento e crescimento das categorias infantis (6 a 11 anos) e infanto-juvenis (12 a 15 anos) também foi muito gratificante e mostra que estamos no caminho certo. Em 2013 devemos ter provas exclusivas para estas categorias, em locais fechados, com total segurança para os jovens competidores” revela Júlio Alfaya presidente da FTERJ.

Segundo Alfaya o triatlo vem crescendo a cada ano, já que cada vez mais o público se identifica com a modalidade, percebendo que natação, ciclismo e corrida se completam, trazendo grandes benefícios à saúde.

“Estou convicto que estaremos em permanente crescimento a cada ano. Está comprovado que o triatlo, comparado com outras modalidades, é o que mais proporciona benefícios à saúde. Assim, vamos desmistificando a imagem de que o triatlo é apenas para superatletas, e já estamos colhendo bons resultados com isso.

Nossa meta é de 1000 atletas filiados em 2013”, afirma Alfaya.

Para Carlos Eugenio Ferraro, treinador e sócio da CE+3 – uma das principais equipes do triatlo nacional, 2012 marcou a retomada do crescimento da modalidade, com a melhora no nível das provas e aumento do interesse dos atletas pelas provas organizadas no Rio de Janeiro. Mas Ferraro faz um alerta.

“Acredito que a modalidade continuará crescendo. Mas este movimento tem de ser bem aproveitado, para não empacar, como ocorreu anos atrás. Cabe a todos os envolvidos, nós treinadores, dirigentes, atletas, sejam da elite ou não, dar o melhor de si. Assim veremos o triatlo como um grande esporte no Brasil” afirma Ferraro.

Mas para o Júlio Alfaya, o crescimento da modalidade passa necessariamente pela oferta de eventos de qualidade, o que não deve ser fácil com a visibilidade que a cidade ganhou ao ser escolhida sede olímpica.

“O Rio de Janeiro é a ‘bola da vez’, no jargão popular, quando nos referimos à sua vocação para sediar pequenos, médios e grandes eventos esportivos. Isso já vinha acontecendo há tempos, mas os adventos da Copa do Mundo e das Olimpíadas acabaram por criar um clima propício ao Esporte, atraindo investimentos de diversos patrocinadores que querem, desde já, a associação de suas marcas com a cidade.

Com isso, por outro lado, com a grande oferta de eventos, criou-se uma grande disputa por locais e datas na cidade. Sobretudo porque a grande maioria dos investidores quer que o palco seja a Zona Sul e a Barra da Tijuca” diz Alfaya.

O dirigente vê o poder público mal aparelhado para conjugar os diversos interesses. Para Alfaya, é preciso dar mais atenção a estas atividades.

“Uma sugestão é a criação de uma Secretaria de Eventos na cidade, que nada teria a ver com a Secretaria de Esportes que cuida, sobretudo, dos projetos sociais-esportivos, o que já demanda uma grande atenção e trabalho. Por conta deste vácuo de informações e comando, diversos problemas ocorrem, causando grande desgaste entre organizadores e gestores de nossa cidade. São dezenas de autorizações que precisam ser resolvidas pelos organizadores. Muitas vezes a mesma documentação é exigida por três ou quatro órgãos do mesmo governo, tornando a atividade cansativa, desgastante e dispendiosa”, alerta Alfaya.

Com a dificuldade em conseguir datas para organizar boas provas – até por que é difícil para o triatlo concorrer com a corrida, por exemplo, que pode reunir até 20 mil pessoas numa prova – os atletas tem a opção em recorrer a provas promocionais em outras cidades do Brasil e até do exterior.

“Estas provas tem se mostrado como uma excelente opção de atividade aos nossos atletas, apesar de não oferecerem a possibilidade de títulos oficiais ou a participação em outros eventos oficiais como Mundiais, Olimpíadas, etc. Neste nicho, encontram-se provas como o Long Distance de Pirassununga, Ironman de Florianópolis, e 70.3 (Penha e Brasília). As provas são bem organizadas e atendem aos anseios dos nossos atletas. Mas vemos com bastante carinho a integração com atletas do Rio participando de provas fora do Estado e de atletas de outros Estados participando das provas no Rio. Em 2012 registramos a participação de 485 atletas de outros Estados nas diversas provas aqui realizadas”, completa Júlio Alfaya.

Mas Carlos Eugenio Ferraro lembra que a massificação e mesmo a sobrevivência de um esporte dependem da existência de ídolos e cite três pontos essenciais para o crescimento do triatlo no Rio de Janeiro.

“Sem um grande ídolo o atleta iniciante não tem onde mirar sua atenção e acaba ficando sem referência, tornando ainda mais difícil que o atleta chegue à fase de lapidação, que é a fase das grandes competições, a mais importante na vida do atleta. Antes dela temos a base, onde os talentos são descobertos; e a manutenção e o desenvolvimento. Em todas estas fases é preciso investimento do atleta, com bons equipamentos e treinamento adequado; da federação, na fomentação do esporte; e dos organizadores, com boas provas e boa premiação”, completa Ferraro.

O crescimento da modalidade no Rio e no Brasil tem atraído os olhares de assessorias esportivas antes focadas apenas em corridas. É o caso da Speed, uma das principais assessorias esportivas do Rio, com forte presença no ambiente corporativo. A equipe já se estruturou e promete entrar com força no triathlon já no início de 2013.

Júlio Alfaya festeja a chegada de novas equipes e vê no triatlo uma ótima ferramenta para reduzir a rotatividade de ‘clientes’ pelas assessorias esportivas e atrair ainda mais atletas

“Acho ótimo que outras assessorias se interessem pelo Triathlon. Estas estão sempre procurando formas de reduzir a rotatividade e sentem a necessidade de constante inovação. Fico feliz com que o triatlo se mostre como uma boa alternativa. Mas, ainda no campo corporativo da busca de novos clientes, tanto para as assessorias quanto para a modalidade em si, acho que todas as assessorias poderiam pensar nas categorias de base. Cada um de seus ‘clientes’ deve ter, pelo menos, umas duas ou três crianças precisando da atividade esportiva. Filhos, sobrinhos… O que nos leva a supor que, se bem administrada, a atividade poderia triplicar o número de atletas nestas assessorias bem pouco tempo, trazendo benefícios para todos”.